
Na primeira sessão plenária realizada após mais um triste caso de feminicídio, os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) lamentaram e repudiaram a violência de gênero. Na madrugada de segunda-feira, a comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Matos, foi morta pelo ex-companheiro.
O primeiro conselheiro a pedir a palavra e se pronunciar sobre o tema foi Rodrigo Coelho. Ele destacou que é importante todos lamentarem o fato ocorrido, um crime fruto de comportamento social que aceita piadas, ri de brincadeiras na internet, fragiliza e vulnerabiliza as mulheres.
“São comportamentos nossos, e não excluo ninguém pela omissão, nem mesmo eu, por não denunciar e, muitas vezes, tirar por menos as pequenas agressões. Ninguém começa matando. Isso é fruto de uma escalada de violência que pode ter começado numa escala muito menor e chegado a esse ponto”, disse.
A fala de Coelho foi feita enquanto debatia-se a aprovação do Plano Anual de Controle Externo (Pace) da Corte de Contas capixaba. “Falo isso nesse momento porque entendo que este problema ultrapassa o tempo. Ele nunca deixou de ser urgente e nem deixará de ser enquanto ainda verificarmos acontecimentos como esse. E que foquemos nossa atuação também em olhar como estão instituídas as redes de proteção às mulheres no serviço público sob nossa jurisdição”, acrescentou o conselheiro.
O presidente da Corte, conselheiro Luiz Carlos Ciciliotti concordou com as falas de Coelho e classificou o crime como um ato desumano e irracional.
Conselheiro Domingos Taufner também concordou com os colegas de plenário e ressaltou que é preciso induzir bons comportamentos, principalmente no público masculino. O ex-presidente também lembrou que o Calendário Institucional 2026 desenvolvido pelo TCE-ES apresenta ações em prol das mulheres que sofrem violência doméstica.
Carlos Ranna também anuiu às manifestações dos companheiros e analisou que a sociedade se acostumou e normalizou ações violentas. “Não é normal a gente ter que sair de casa e colocar cadeado, ter câmera de segurança em todas as esquinas. Isso não é normal e nós normalizamos. E a doença está instalada. A falta de respeito é uma doença da alma. Estou muito solidário às falas dos colegas”, concluiu.
Nota Oficial
O Tribunal também se posicionou de modo institucional. Em publicação nas redes sociais, a Corte classificou como inaceitável o caso contra a comandante da Guarda Municipal de Vitória.
Mais um caso que evidencia uma realidade inaceitável: a violência contra a mulher segue tirando vidas, destruindo famílias e abalando toda a sociedade.
O Tribunal de Contas do Espírito Santo manifesta profundo pesar pela morte da comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Matos, vítima de feminicídio. Nos solidarizamos com familiares e amigos neste momento de dor.
Em 2025, o país registrou o maior número de feminicídios da última década: foram 1.568 mulheres assassinadas em razão de sua condição de gênero, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Não podemos naturalizar.
Não podemos nos calar.
Feminicídio é crime.
Denuncie.
180 – Central de Atendimento à Mulher
190 – Polícia Militar (em casos de emergência)
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(27) 98159-1866




