
Os gestores capixabas devem se manter atentos para que o El Niño não cause problemas para a saúde da população. Por isso, o Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) recomenda que prefeitos e secretários adotem uma série de medidas. Entre elas está o reforço aos agentes de endemias e no estoque de medicamentos disponibilizados à população.
Problemas
Quando se fala nos impactos na saúde causados pelo El Niño, uma das primeiras preocupações é o aumento da proliferação do Aedes aegypti, o temido mosquito que transmite a dengue e outras doenças. O forte calor e as chuvas intermitentes são a melhor combinação para a reprodução do mosquito.
Além da dengue, os períodos prolongados de estiagem e ondas de calor podem resultar em agravamento de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais, além de aumentar o risco de desidratação, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas – situações que podem provocar a sobrecarga no Sistema de Saúde.
Assim, a preparação dos sistemas municipais de saúde para o fenômeno El Niño deve considerar não apenas o aumento esperado das arboviroses, mas também a possibilidade de sobrecarga dos serviços decorrente da ocorrência simultânea de diferentes agravos relacionados aos extremos climáticos.
“Os efeitos do El Niño podem aumentar a pressão sobre os serviços de saúde, seja pelo crescimento de determinados agravos, seja pelas consequências de eventos climáticos extremos. Por isso, a principal mensagem aos gestores é a necessidade de antecipação. As recomendações do Tribunal apontam medidas que podem ajudar os municípios a preparar a rede, reduzir vulnerabilidades e preservar a continuidade da assistência à população”, comentou o coordenador do Núcleo de Controle Externo de Avaliação e Monitoramento de Políticas Públicas de Saúde (NSaúde) do TCE-ES, Lucas Matias Caetano.
Recomendações
Para reduzir o impacto do El Niño nas questões relacionadas à saúde, foram feitas 10 recomendações. Veja quais são:
- Mapeamento das unidades de saúde localizadas em áreas sujeitas a alagamentos, inundações, deslizamentos, interrupção de energia elétrica ou restrição de abastecimento de água, com definição de plano de continuidade dos serviços essenciais, rotas alternativas de acesso, remanejamento temporário de atendimentos e preservação de medicamentos, vacinas, prontuários e equipamentos;
- Intensificação das ações de vigilância entomológica (Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes —LIRAa) antes do início do período crítico (outubro e novembro de 2026);
- Dimensionamento, capacitação e eventual reforço de Agentes de Endemias em número suficiente para cobertura territorial adequada durante o pico epidemiológico;
- Fortalecimento das ações de comunicação e mobilização social para eliminação de criadouros, priorizando áreas pós-enchente e articular com a Secretaria de Estado de Saúde do Espírito Santo (Sesa) os protocolos de monitoramento epidemiológico em abrigos;
- Fortalecimento das ações de vigilância em saúde para monitoramento de agravos potencialmente associados a ondas de calor e estiagens, com especial atenção a crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas;
- Revisão dos fluxos de atendimento da Atenção Primária à Saúde, dos serviços de urgência e emergência e da regulação assistencial para manejo de agravos associados a ondas de calor, estiagens, enchentes e inundações, incluindo desidratação, exaustão térmica, agravamento de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais, leptospirose, doenças diarreicas agudas e demais agravos de interesse à saúde pública;
- Levantamento preventivo e manutenção de estoque mínimo de medicamentos, insumos e materiais estratégicos para resposta a agravos associados a eventos climáticos extremos, incluindo sais de reidratação oral, hipoclorito de sódio, antibióticos indicados nos protocolos clínicos, materiais para curativos, testes diagnósticos, equipamentos de proteção individual e medicamentos de uso contínuo para populações vulneráveis;
- Fortalecimento do atendimento integral às pessoas em situação de rua, em face de maior vulnerabilidade em momentos de calor extremo;
- Reforço da vigilância epidemiológica de doenças associadas a enchentes e inundações, especialmente leptospirose e doenças de veiculação hídrica, com definição prévia de fluxos de notificação, investigação e resposta;
- Articulação da rede de Atenção Psicossocial com a Atenção Primária, Assistência Social e Defesa Civil para oferta de apoio psicossocial às pessoas atingidas por eventos climáticos extremos, especialmente famílias desabrigadas, crianças, idosos, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua e trabalhadores envolvidos na resposta.
Série
Devido à importância do assunto e do início dos efeitos do El Niño no Espírito Santo, nos próximos dias serão publicados materiais detalhando as recomendações feitas pela área técnica do Tribunal.
São quatro textos detalhando as recomendações que foram feitas. Além deste material, com informações sobre Saúde, também existem recomendações para as áreas de Educação, Assistência Social e Comunicação. Fique ligado e acompanhe!
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